Madeiras
Conceito
A madeira foi um dos primeiros materiais a ser utilizado pelo homem, provém do tronco e dos ramos das árvores. Trata-se de um material orgânico, de origem vegetal encontrado tanto em florestas naturais quanto em reflorestamentos industrializados. Sua fonte é abundante e renovável. Composta basicamente de celulose, hemiceluloses, lignina e extrativos, apresenta uma versatilidade enorme de usos para obtenção de uma grande quantidade de produtos. É um excelente material de construção devido às propriedades físicas e mecânicas que possui. Na industria moveleira, é a principal matéria prima devido a singularidade de suas diferentes fibras e colorações, além da alta resistência física e mecânica, possui excelente durabilidade e permite a realização de entalhes e usinagem.
Definição
A madeira pode ser definida como um material orgânico, heterogêneo, poroso, higroscópico e anisotrópico.
• Orgânico: Por apresentar estrutura molecular baseada em cadeias de carbono;
• Heterogêneo: Apresenta componentes de formas e tamanhos variados em sua estrutura microscópica;
• Poroso: Possui elementos microscópicos que propiciam a condução de líquidos. As fibras da madeira também possuem espaços para circulação de líquidos (vasos);
• Higroscópico: Por possuir a capacidade de absorver água e mantê-la na sua estrutura, dentro da parede celular.
• Anisotrópico: Por apresentar comportamento alternado nos diferentes planos anatômicos. É a característica mecânica, variável de acordo com a disposição das suas fibras, apresentando três direções principais: longitudinal, radial e tangencial.
Características
O tronco de uma árvore, quando observado em corte transversal apresenta, do centro para a periferia, as seguintes regiões: medula, cerne e alburno.
Fig.1 Composição da Madeira (Fonte: Google Imagens)
• Medula: parte mais ou menos central do tronco, de pequeno diâmetro, constituída por tecidos menos resistentes do que os do lenho que a circunda, portanto, mais susceptíveis a ataques biológicos.
• Cerne: parte interna do lenho da árvore envolvida pelo alburno, constituída por elementos celulares sem atividade vegetativa, geralmente caracterizada por coloração mais escura que a do alburno e mais resistente a ataques biológicos.
• Alburno: camada externa do lenho situada entre o cerne e a casca da árvore, composta de elementos celulares ativos e caracterizada por ter geralmente coloração clara. Apresenta menor resistência aos ataques biológicos, pois suas células contém substâncias de reserva como amido e açúcares.
A produção de madeira (xilema) difere de acordo com a época do ano. Na primavera, as células formadas são mais largas, com paredes mais finas, resultando em madeira menos densa, menos resistente, mais clara e mais acessível à água. Durante o verão, outono e inverno, por outro lado, as novas células criadas são menores e suas paredes celulares são mais espessas. Consequentemente, a madeira formada é mais densa, escura e resistente e menos permeável.
Esta alternância de células menos densas e mais densas forma os anéis de crescimento. A camada formada durante a primavera, denominada lenho inicial, primaveril ou madeira de primavera, aparece como uma faixa mais clara, ao passo que a camada originada no verão, chamada de lenho tardio, estival ou madeira de verão, pode ser vista como uma região mais escura. Os anéis de crescimento são mais visíveis em árvores de regiões de clima temperado, onde as diferenças entre as estações são mais pronunciadas.
Fig. 2 Anéis Anuais de Crescimento (Fonte: Google Imagens)
Como a alternância entre o lenho inicial e o lenho tardio ocorre de forma anual, os anéis de crescimento indicam a idade de uma árvore. No entanto, falsos anéis podem surgir devido a mudanças climáticas bruscas (secas, geadas, etc.).
Seções da Madeira
As madeiras são redimensionadas em serrarias e transformadas em peças menores de formato prismático, podem ser obtidas por diversas técnicas de desdobro, escolhidas principalmente em função de critérios técnicos e econômicos, sendo classificadas em cortes transversal, radial e tangencial.
A figura a seguir apresenta os três tipos de seções existentes:
Fig.3 Tipos de corte (Fonte: Google Imagens)
A seção transversal pode ser vista ao observar a extremidade de uma tora de madeira. Neste plano, os anéis de crescimento aparecem aproximadamente como circunferências (ou arcos de circunferências) concêntricas, e os raios são vistos como linhas normais aos anéis.
As duas práticas mais comuns nas serrarias são os cortes radial e tangencial. O corte tangencial é mais utilizado pela eficiência de produção de madeira serrada e menor formação de resíduos. Nele, após a fixação da tora e retirada da primeira costaneira, as tábuas são extraídas paralelamente, uma após a outra, até a proximidade da medula, que é descartada. Em seguida, a tora é girada, tendo a outra metade processada do mesmo modo.
No corte radial, inicialmente, a tora é cortada em quatro partes, segundo dois planos perpendiculares. Em seguida, cada uma dessas partes é colocada na serra em posição que permita que os anéis anuais de crescimento mantenham, o mais próximo possível, um ângulo de 90º em relação à face das tábuas que serão cortadas. Apesar de mais trabalhoso, o corte radial diminui a contração das tábuas durante o processo de secagem, além de proporcionar vantagens estéticas devido ao desenho do grã da madeira na superfície das peças.
Considerações
Com esta breve introdução, espera-se que o leitor obtenha o conhecimento mínimo necessário acerca da madeira utilizada na no setor moveleiro. O objetivo deste texto é de somente apresentar o tema para, a partir daí, despertar o interesse e o posterior aprofundamento.
Bibliografia
CALIL JUNIOR, C. SET 406 - Estruturas de Madeira - Notas de aula. Escola de Engenharia de São Carlos, Publicações EESC/USP, São Carlos, 1996.
JAEGER, P. Propriedades Físicas da Madeira. Apostila. Centro Universitário de União da Vitória, Publicações UNIUV, Paraná, 2003.


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